terça-feira, 21 de julho de 2020

O Botafogo resistiu


O Botafogo era o favorito para conquistar o título de 1911. O time era formado por jovens craques que certamente alcançariam novas glórias não fossem os lamentáveis acontecimentos do jogo com o America. A partida era disputada num clima de violência. Flavio Ramos recebeu uma entrada violenta e Abelardo Delamare o aconselhou a revidar, sendo insultado pelo jogador do America. Em resposta Abelardo deu-lhe um bofetão e aí todo mundo brigou. O campo da Voluntários da Pátria foi invadido por torcedores. Os irmãos Adhemaro e Abelardo de Lamare foram suspensos por seis meses e um ano, respectivamente. Já o autor da falta só recebeu um mês. O Botafogo foi solidário com seus jogadores e retirou-se do campeonato e a Liga baniu o clube do campeonato seguinte.
O Botafogo fundou a AFRJ e organizou um campeonato paralelo em 1912, vencido pelo próprio Botafogo. Os times tinham pouca expressão e os campos eram muito ruins, como o da Rua São Clemente que ficava perto de uma pedreira e por isso deu ao campeonato o apelido de “Liga da pedreira”. Apesar de tudo, nenhum jogador campeão em 1910 abandonou o Botafogo.
O Botafogo entrou em crise financeira e teve de parar de pagar o aluguel do campo da Voluntários da Pátria.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

1927- ano marcante para dois rivais: Vasco e Flamengo

A maior fraude do Flamengo- o título de "Mais Querido do Brasil"

O Flamengo é o clube de futebol mais popular do Brasil. Segundo pesquisas, em média 18% dos brasileiros se declaram torcedores do rubro-negro, o que correspondia, em 2019, a quase 38 milhões de pessoas.
Em 1927, a água mineral Salutaris e o Jornal do Brasil promoveram um concurso com o objetivo de eleger o "clube mais simpático". O torcedor deveria escrever o nome do seu time favorito no rótulo da garrafa d'água ou no cupom impresso no jornal e enviá-los para a sede do jornal.
O prazo de votação foi de 4 de outubro a 30 de dezembro de 1927.
Na penúltima apuração, o Vasco liderava a pesquisa, graças à mobilização de seus torcedores (mais de 93 mil votos contra 53 mil para o Flamengo). Mas quando saiu o resultado final, veio a surpresa: vitória do Flamengo por mais de 254 mil votos contra mais de 183 mil para o Vasco. Dezoito anos depois, em 1945, Mário Filho, no seu livro "Histórias do Flamengo", lançado para comemorar os 50 anos de fundação do clube, revelou o que muitos desconfiavam: o resultado da Taça Salutaris tinha sido uma farsa.

Os fãs do rubro-negro haviam tido a ideia de inutilizar as indicações dadas para o rival. Para tanto, alguns deles se posicionaram estrategicamente perto da sede do Jornal do Brasil. Com bigodes, escudos do Vasco na lapela e imitando o sotaque português, os flamenguistas recolhiam os votos que seriam para o adversário. Mas, ao invés de os entregarem no local da apuração, os jogaram em latrinas.
O Flamengo levou para a sua sede - que ainda não era a Gávea - a Taça Salutaris, que foi colocada em local de destaque.
Somente mais tarde é que os votos não contabilizados para o Vasco foram descobertos. O estratagema não foi negado pelos torcedores do Flamengo. Muito pelo contrário. Se orgulharam dele. Edilberto Coutinho escreveu em seu livro "Nação Rubro-Negra":
"Os do Vasco (...) caíram na besteira de divulgar o episódio, achando que com isto iriam atingir a popularidade — real — do Flamengo. Foi pior para o Vasco. O Mengo se safou da coisa numa boa, sem um arranhão sequer na sua imagem. Ao contrário. Ganhou (...) Subiu no conceito de todos, especialmente do carioca das ruas, do zé-povinho do Rio de Janeiro que admira sem restrições o esperto."
No seu blog "Urublog", o rubro-negro Arthur Muhlenberg dá a sua versão dos acontecimentos:
"Movidos pela cobiça, os estrátegos do serviço de inteligência vascaína imaginaram então uma maneira considerada infalível de vencer o Flamengo: comprariam os exemplares do Jornal do Brasil que traziam os cupons para a votação diretamente da mão dos jornaleiros que os vendiam pelas ruas naqueles tempos de pouquíssimas bancas de jornal. Além disso, o bacalhau contava com os votos que seriam provavelmente acumulados pela plêiade de carroceiros, garrafeiros e burros-sem-rabo vascaínos que monopolizavam o mercado de jornal velho e outros materiais recicláveis da então Capital Federal.
Mas o Flamengo dessa época já era o Mengão Cósmico que arrastava pequenas (comparativamente aos dias de hoje) multidões onde quer que se apresentasse. Com um timaço liderado pelo infernal Leônidas da Silva, o Homem de Borracha da Copa da França e Diamante Negro do Brasil, os visionários torcedores do então quarentão Flamengo já tinham consciência de que faziam parte de uma elite futebolística destinada a triunfar como os maiores do mundo.
Enquanto o nosso bacalhoesco rival apostou tudo no abuso do poder econômico e no traço poupador tão presente na personalidade do povo luso para vencer a disputa, os jovens entusiastas do Flamengo contaram apenas com a coragem e a inteligência para vencer a batalha do tostão contra o milhão. Durante meses as torcidas se mobilizaram para aquele civilizado duelo. Cada clube fazendo tudo que estivesse ao seu alcance para conseguir mais votos.
O Vasco organizou festas, rifas e quermesses e angariou fundos para comprar edições inteiras do Jornal do Brasil. No Flamengo não foi diferente, listas de subscrição foram organizadas por toda cidade e era difícil para um rubro-negro em 1938 (?) tomar um cafezinho sem que alguém lhe pedisse uma contribuição para ajudar o Flamengo a vencer o Vasco. Ao fim de cada dia, sócios, diretores e torcedores faziam a conferência de sacos e mais sacos com nossos votos que se amontoavam na garagem de barcos em nossa sede no antigo 22 da Praia do Flamengo. Mas por mais que o Flamengo fizesse restava sempre a impressão de que não havia como o Flamengo vencer aquela briga. O Flamengo juntou 200 mil votos mas o Vasco deveria ter juntado mais ainda.
Mário Filho, em seu magnífico Histórias do Flamengo destacava: 'Todo português aprendeu a guardar desde menino, a fazer seu pezinho de meia. Se alguém tivesse dúvida sobre a vantagem que o Vasco levava, deixaria de duvidar logo que abrisse o Jornal do Brasil, um dia depois de uma apuração. O Vasco estava na frente, longe. Se o pessoal do Flamengo passava pela La Royale para ver a Taça Salutaris ao lado das jóias mais caras, também o pessoal do Vasco passava por lá. O Flamengo namorava a taça, o Vasco não namorava mais a taça, noivava com ela. Valia uns quinze contos, só de prata. E era uma obra de arte, de gosto português. Por isso mesmo é que o Vasco fazia tanta questão de ficar com ela. Em Santa Luzia ela estaria em casa, na garage do Flamengo daria a impressão de uma coisa fora do lugar.'
No dia da apuração final o Vasco liderava a disputa com uma vantagem de mais de 60 mil votos. Conforme o regulamento, os votos deveriam ser entregues na própria sede do Jornal do Brasil, na Avenida Central. Usando a mais pura picardia carioca os líderes do Flamengo ocuparam a porta da sede do jornal. Convenientemente disfarçados com botões do Vasco na lapela e aportuguesando a voz recebiam os sacos de votos que a torcida do Vasco entregava confiante em uma vitória que seria consagradora. Chegavam votos do Vasco que não acabavam mais e ali mesmo na porta do JB eram entregues inocentemente nas mãos de um rubro-negro de bigodes e botão do Vasco na lapela que os passava rapidamente para outro rubro-negro que entrava com os votos no prédio do jornal.
Se os votos já estivessem preenchidos para o Vasco iam diretamente para as latrinas do Jornal do Brasil, se estivessem em branco eram carimbados para o Flamengo e se somavam ao nosso bolo. Em pouco tempo todas as privadas do Jornal do Brasil estavam entupidas e os votos pro bascu que continuavam a chegar começaram a ir pro fundo do poço do elevador.As torcidas se reuniram na frente do JB e no fim da tarde foi colocado um cartaz na porta do jornal: Não se recebem mais votos. A apuração começou contando os votos do Vasco. Quando o Flamengo passou na frente a torcida explodiu como se estivesse no field da Rua Paysandu comemorando um goal de Nônô. Os vascaínos começaram a sair de cabeça baixa, sem compreender como fora possível perder pro Flamengo. A Taça Salutaris foi levada em triunfo pelos rubro-negros até a sede do Flamengo e está até hoje na nossa sala de troféus na Gávea.
No dia seguinte, o presidente do Vasco recebeu uma encomenda expressa enviada por alguns torcedores rubro-negros. Um lindo penico embrulhado para presente onde se lia Taça Salutairis. Dentro do penico vários votos do concurso carimbados para o bascu e os botões de lapela.Foi assim que o Flamengo tornou-se O Mais Querido do Brasil."
Comentando a postagem de Muhlenberg.
"Movidos pela cobiça, os estrátegos do serviço de inteligência vascaína imaginaram então uma maneira considerada infalível de vencer o Flamengo" - como se os flamenguistas não fossem movidos pela cobiça pela taça.
"Mas o Flamengo dessa época já era o Mengão Cósmico que arrastava pequenas (comparativamente aos dias de hoje) multidões onde quer que se apresentasse. Com um timaço liderado pelo infernal Leônidas da Silva, o Homem de Borracha da Copa da França e Diamante Negro do Brasil, os visionários torcedores do então quarentão Flamengo já tinham consciência de que faziam parte de uma elite futebolística destinada a triunfar como os maiores do mundo." - parece que Muhlenberg, como a vasta maioria dos Flamenguistas realmente desconhece a história de seu clube. Em 1927 Leônidas da Silva tinha apenas 14 anos e jogava no juvenil do Bonsucesso; só jogaria no Flamengo quase 10 anos depois. E o Flamengo, fundado em 1895, não era um "quarentão". Tinha 32 anos de existência.

Não é possível que alguém com um mínimo de decência e honestidade possa se orgulhar desse malfeito dos flamenguistas de 100 anos atrás. O fato é que a grande maioria dos rubro-negros de hoje desconhece essa história, de como o Flamengo foi, de certa forma, oficializado como o clube mais popular do Rio de Janeiro ou, mais tarde, como o "Mais Querido do Brasil". E os que conhecem a história, como o sr. Arthur Mohlenberg, fazem questão de se ufanar do malfeito de seus antecessores espirituais. Se orgulham do modo fraudulento como foi ganha a Taça Salutaris.

domingo, 11 de novembro de 2012

A ficção torna-se realidade

Quem já leu ou ouviu falar do livro 1984 de George Orwell? Ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley? Parece que o que foi dito nesses livros em forma de ficção tornou-se nossa realidade diária.
Será que esses autores foram proféticos ou esses livros na realidade eram manuais com os objetivos da Nova Ordem Mundial?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quero a minha capital de volta

Fazendo um balanço de 50 anos de transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o planalto central chega-se à conclusão que a construção de Brasília foi um dos maiores, senão o maior erro da história do Brasil.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Como obter formação intelectual

Sugestão de leitura: Procurem História da Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux.
É uma leitura fundamental para a formação cultural e filosófica de qualquer um.